sexta-feira, 23 de dezembro de 2022

Renunciar à prática cotidiana de consumo desenfreado e desnecessário foi uma das práticas mais salutares que adotei neste ano. Decidi comprar somente o estritamente necessário, usando roupas, acessórios e utensílios até seu irreparável desgaste e os substituindo só se forem estritamente indispensáveis para minha sobrevivência. Menos estética e mais consciência, adquirida sobretudo pelo medo de me endividar. A economia financeira tem sido a principal consequência disso. Nunca consegui juntar tanto quanto neste ano, justamente porque abdiquei de adquirir frivolidades, tanto em bens materiais quanto em bens de consumo, como comida e lazer, para amealhar fundos, com o objetivo principal de amortizar empréstimos consignados de outrora no ano que vem e me preparar para as possíveis futuras crises financeiras. Fora o sonho da casa própria e do carro, ainda distantes... . 

domingo, 13 de novembro de 2022

Apesar de tudo, hodiernamente, a beleza resiste, seja nos gestos ou na composição dum rosto e dum corpo humanos. Malgrado a degeneração dos princípios e dos costumes dos dos nossos tempos, a qual numa determinada perspectiva pode se tratar duma permanência, uma vez que nunca há nada de novo sob o sol, os rostos mais belos e os gestos mais nobres, remetendo a civilizações heróicas, podem ser contemplados, sobretudo entre os membros das classes intelectual e materialmente mais pobres. Entre os narcóticos e os prostituídos, entre os devassos e os vazios de espírito, entre os estultos e os insipientes, apesar disso, ou quem sabe por causa disso mesmo, há uma encantadora e deslumbrante beleza, eco de tempos antigos ou prefiguracão dum futuro grandioso, de gente viçosa e saudável e consequentemente inteligente e eficiente, ou, ao contrário de tudo isso, apenas uma compensação. 

quinta-feira, 13 de outubro de 2022

Hoje me assomou uma vontade irresistível de ler "Guerra e Paz", e no Kindle, para minha surpresa, mas deixarei essa grande empreitada para as férias, porque ela demanda tempo livre e muita concentração. O meu fascínio pela cultura e história russas é enorme e se prefigura na origem russa do meu nome (Dr. Iuri Jivago, Iuri Gagarin). Como não admirar as portentosas música, a literatura e a dança da Rússia?! Pena que seu atual Chefe de Estado tenha dado tanto vexame em matéria geopolítica: contudo um mal governo é passageiro e não pode se confundir com a grandeza e soberania de um país e seu povo. Falando em países e suas grandes histórias e os rutilantes aspectos de sua cultura, recentemente assisti à série Imperatriz, da Netflix, cujo enredo remonta ao Império Austríaco de Francisco I, e a evocação de seus conflitos com o Império Russo me fez lembrar do quanto gosto das coisas desse país, mas também do quanto amo a música da Áustria, sobretudo as composições de Mozart, cujo concerto para flauta e harpa ora ouço... Ouvir algo tão sublime realça que as coisas lindas não findam, mas se eternizam e nos redimem, nos sustentam do tédio prosaico da existência, e fazem o mais (política partidária, inflação de egos, deblaterações infantis, desejos carnais...) não terem valor algum, não valerem a pena...