domingo, 13 de novembro de 2022

Apesar de tudo, hodiernamente, a beleza resiste, seja nos gestos ou na composição dum rosto e dum corpo humanos. Malgrado a degeneração dos princípios e dos costumes dos dos nossos tempos, a qual numa determinada perspectiva pode se tratar duma permanência, uma vez que nunca há nada de novo sob o sol, os rostos mais belos e os gestos mais nobres, remetendo a civilizações heróicas, podem ser contemplados, sobretudo entre os membros das classes intelectual e materialmente mais pobres. Entre os narcóticos e os prostituídos, entre os devassos e os vazios de espírito, entre os estultos e os insipientes, apesar disso, ou quem sabe por causa disso mesmo, há uma encantadora e deslumbrante beleza, eco de tempos antigos ou prefiguracão dum futuro grandioso, de gente viçosa e saudável e consequentemente inteligente e eficiente, ou, ao contrário de tudo isso, apenas uma compensação.